Individualização de hidrômetros

Hidrômetro

No final de 2009 a conta de água chegou a superar os R$ 20.000,00, absurdo para um condomínio de 96 apartamentos. É claro que isso assustou muita gente e então corremos atrás de empresas que  oferececem o trabalho de individualização dos hidrômetros.
A individualização pode ser uma medida eficiente e necessária, cada caso é um caso, pois existem infraestruturas que já estão predispostas à individualização, casos de consumo extremo de água sem identificação da origem do gasto etc. Por isso sempre existe a necessidade de se fazer os cálculos de investimento e retorno antes de se implementar ou descartar completamente a idéia. Veja mais sobre planejamento dos projetos. CLIQUE AQUI
À época eu ainda não era o síndico, porém fiquei responsável pelo estudo de viabilidade de implementação da solução e esse foi um caso em que não se conseguiu a maioria necessária para a realização e eu mesmo fui um dos que votou contra a individualização na época por alguns motivos: era um projeto caro, traumático e necessitava de 2/3 de aprovação de todos os moradores para realização.

Iniciamos um trabalho de busca de vazamentos e gastos exagerados, com isso foram analisadas as formas de limpeza da piscina e vistoriados todos os apartamentos atrás de vazamentos em caixas acopladas e torneiras.

Somente com essas medidas o consumo de água voltou aos níveis mínimos registrados anteriormente ao pico de consumo e então tornou inviável economicamente a obra de individualização.

Hoje o consumo voltou a subir e está em pauta o retorno da discussão sobre a individualização dos hidrômetros. Sempre paira uma grande dúvida, estamos fazendo isso pelo meio ambiente ou pelo nosso bolso? A verdade é que existe a possibilidade do consumo nunca baixar e esse se tornar somente um mecanismo de se criar “justiça” para os menos gastadores.

Estamos estudando o motivo do recente aumento do consumo e esse aumento coincidiu com a troca do antigo hidrômetro por um novo, que segundo um fornecedor é mais sensível e capaz de captar fluxos mínimos de água que antes não podiam ser medidos.

Protesto

Fica aqui um protesto contra a CEDAE que cobra o mínimo de 500 litros de água por dia por apartamento, usando ou não. Isso demonstra a inexistência de iniciativas para redução do consumo. No Rio de Janeiro o que parece é que sobram recursos hídricos e que reduzir o consumo somente significará redução do caixa do Governo do Estado. No bairro constantemente aparecem “aflorações” de água no asfalto e calçadas, certamente pela má conservação de dutos e galerias, reclamei pessoalmente de alguns desses vazamentos de alguns milhares de litros de água por dia e a CEDAE levou pelo menos um mês para o reparo. Afinal tem quem pague pela má gestão dos recursos.

A CEDAE, assim como todas as demais concessionárias proíbe a instalação de eliminadores de ar do cano antes do hidrômetro, a alegação é que mais de 99% do que passa pela tubulação é água sem ar, então me pergunto: se não tem ar, por que é proibida a instalação do dispositivo?

Mais um abuso é a cobrança do mesmo valor da distribuição de água para o tratamento de esgoto, eu ainda não consegui visualizar onde está sendo gasto esse dinheiro todo pois o bairro está constantemente alagado e os emissores marítimos estão há tempos com problemas nas aberturas das suas comportas sem que sejam tomadas as devidas providências, comprometendo dentre outros a enseada mais famosa do Brasil, a de Botafogo.

Contato: condominiossustentaveis@gmail.com

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4 responses to this post.

  1. Posted by Katia on 10/25/2011 at 11:35

    Gostaria de sugerir umas medidas economizadoras de água:
    1) Torneiras de acionamento automático nos sanitários dos apartamentos (por quê não?);2) Bacias com caixa acoplada; 3) se for usar vávula de descarga, que seja com fluxo fixo (nunca válvula com duo fluxo);4) Nos sanitários públicos masculinos, se houver mictório, aumente a quantidade de mictórios e dê ao usuário do mictório mais privacidade (placa de mármore mais larga entre as peças sanitárias). Lembre-se: o adulto sempre vai preferir usar o sanitário do próprio apartametno para fazer o “nº2″; 5) Nos sanítarios publicos, femininos, use bacia com caixa acoplada; 6) Instale arejadores e reguladores de vazão junto a todas as torneiras (pias, lavatórios, tanques); 7) se for fazer a individualização, cuidado para não pagar duas vezes pela mesma água. A soma dos hidrômetros individuais nunca dá o valor do hidrômetro geral, pois entre eles há uma caixa dágua de distribuição; 8) E cuidado com as faixas de multa para o hidrômetro geral. Se registrar na CEDAE que o hidrômetro geral corresponde a 96 apartamentos, a conta mínima será estrondosa. Se colocar que o hidrômetro geral corresponde a 1 apartamento, a multa por excesso será estrondosa. Talvez valha a pena individualizar mas o condomínio admiistrar a individualização, ao invés da CEDAE.

    Resposta

    • Posted by Carlos Filipe on 06/08/2012 at 20:55

      A tarifa mínima multiplicada pela número de apartamentos é ilegal, a CEDAE tem que cobrar o que registra o hidrômetro.

      Resposta

  2. Posted by Diego on 05/31/2013 at 01:13

    Trabalho na Sanepar, e os eliminadores são proibidos pois diminuem a velocidade da água, provocando uma submedição provocada, ou seja, você consome, mas paga menos, o que é considerado fraude. Com relação a ar na rede, ele só entra pelas saídas de água. Por exemplo, vc deixa uma torneira aberta durante uma falta de água. A água da rede recua, e entra ar. Assim, o ar entra, e roda o hidrometro para trás, qnd a água volta, ele gira novamente no sentido correto. Portanto sim, o ar gira o hidrometro, mas nos dois sentidos.

    Com relação a tarifa mínima com relação ao número de apartamentos, deve ser analisado se isso realmente gera benefício ou não ao condomínio, visto que geralmente a tarifa é cobrada com base em faixas de consumo. NA taxa mínima você paga o menor custo. Tem que fazer a conta se o consumo médio sai mais caro pagando a taxa mínima, ou na tabela progressiva.

    Resposta

    • Caro Diego,

      Muito obrigado pelas informações, infelizmente as concessionárias ou empresas de águas não oficializam essa informação com laudos convincentes que provariam o que dizem, e só que é proibido por ser proibido e pronto, e que o ar não influencia a medição etc.

      Sobre a cobrança mínima, entendo a sua existência em parte, trata também dos gastos da empresa para garantir a disponibilidade da água, para isso pagamos para que ela esteja disponível na torneira em qualquer momento, e isso tem um custo. Sou contra o valor desse “mínimo”. No Rio de Janeiro a CEDAE cobra 15m3 por mês por economia, usando ou não, isso é abusivo além de desestimular qualquer iniciativa de sustentabilidade e redução de consumo. O morador tem que pagar por 15.000 litros de água, mesmo que não o utilize. A cobrança mínima deveria ser realmente mínima.

      Abraços e obrigado pela valiosa contribuição.

      Resposta

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