O caos de descarte do lixo carioca

O caos de descarte do lixo carioca

Renato Munhoz

 

 

 

Li a repostagem do jornal “O Globo” sobre a radiografia do lixo descartado pelo carioca e um fato me impressionou muito, somente 3% de todo o lixo da cidade é reciclado.

O que chamou mais a atenção é que a cidade que logo sediará a Rio+20 e a sua empresa de coleta, a Comlurb, recicla 0,27%, isso significa que diariamente ela separa e deixa de enviar aos aterros apenas 23 toneladas, enquanto outras 8.128, isso mesmo, oito mil, cento e vinte e oito toneladas seguem para o aterro de Gramacho. O restante, 2,73% ou 252 toneladas são recolhidas e separadas por cooperativas e catadores.

Considerando que 55% de todo o lixo, 4.621 toneladas são de origem residencial, mostra que temos muito o que fazer e muito a reivindicar.

O importante é fazermos a nossa parte, separar o lixo, reinvindicar uma nova e eficiente política de resíduos e estimular a criação das cooperativas, fazendo a renda do lixo circular entre aqueles que realmente dependem dele, porém de forma digna.

No meu condomínio fazemos toda a separação dos materiais e uma vez por mês é recolhido e vendido esse material, na média deixamos de descartar 1 tonelada de lixo por mês, parece uma gota no oceano, mas se cada um fizer a sua parte, teremos resultados enormes.

Com base no dados do IBGE de 2010, existem no Rio de Janeiro, 2.083.817 domicilios ocupados.  Uma conta simples, comparando os dados do meu condomínio, com 96 unidades habitacionais e arrecadação média de 340 gramas por apartamento por dia e considerando apenas os materiais sólidos, a coleta e reciclagem poderia saltar das 285 toneladas atuais para pelo menos  723 toneladas, ou 15% de todo lixo domiciliar. Isso quase triplica a quantidade diária e significaria um aumento importante na vida útil dos aterros públicos.

Aos síndicos e administradores digo que é essencial que deixem de ver a questão do lixo como somente mais um trabalho e visualizem o impacto que cada embalagem destinada indevidamente será  um passo a mais para o fim da vida útil dos lixões. Esse mesmo material poderia se transformar em um novo, gerando ainda renda extra aos que mais precisam, inclusive aos funcionários do próprio condomínio.

Parece que o poder público está longe demais de conseguir resolver esse problema, afinal de contas está sendo feito um novo aterro em Seropédica para depositarmos o nosso lixo por mais alguns anos, associado ao lobby das empresas de coleta de lixo terceirizadas, tem muita gente ganhando com isso, mas e o meio ambiente? E o nosso futuro?

 

Renato Munhoz

www.twitter.com/c_sustentaveis

condominiossustentaveis@gmail.com

 

 

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7 responses to this post.

  1. Posted by Amauri Alcantara on 03/21/2012 at 08:45

    Renato,
    Temos um grande problema por trás desse ´lixo´ todo que são os interesses monetários, O descarte em lixões apenas adia um problema real que é a contaminação futura dos nossos lençóis freáticos, pois por melhor que sejam as mantas utilizadas a própria manipulação para a acomodação do lixo já as rasgam. A solução sem afetar aos catadores, é a usina de lixo. Já temos a solução, nacional, aprovada pelos órgãos competentes, que transforma em energia todo o lixo recebido, que gera zero resíduos, ou seja, nem o ar recebe qualquer tipo de poluição, contribuindo com toda a nossa natureza. O que falta, é a vontade política para a cessão de área e financiamento para a instalação de diversas usinas em todo o país, acabando de vez com este ´tremendo problema´. Veja que não haveria interferência no recolhimento do lixo, apenas se daria um fim aos ´lixões´ e a esse resíduo que levará muitos e muitos anos para se decompor. A quem se interessar, posso colocar em contato direto com os responsáveis. Abração.

    Responder

    • Caro Amauri,

      Essa informação é importante e deve ser de domínio público, se tiver dados ou até mesmo um artigo sobre o funcionamento das usinas, eu terei prazer em publicar.

      Abraços

      Responder

      • Posted by Amauri Alcantara on 03/24/2012 at 08:30

        Prezado Renato,

        Embora eu seja oriundo da área de informática, hoje trabalho na área de representações e isso me leva aos mais variados tipo de informações e empresas.

        Sim, creio que posso conseguir alguma matéria sobre o funcionamento de usinas de lixo ou posso lhe colocar em contato direto com os responsáveis, mas conforme eu mencionei anteriormente: falta vontade política para que possamos todos nós cumprirmos com o nosso papel e cuidarmos do que é nosso.

        O fato é que temos que ´cobrar´ de nossos políticos atitudes corretas, coerentes e que tragam benefícios para a população e para o nosso país.

        Por favor, quando vc menciona publicação, vc está se referindo a que tipo de veículo?

        Podemos nos comunicar diretamente através do e-mail : amauri.alcantara@oi.com.br

        Abraços.

  2. Posted by Angela Regina Guimarães. on 03/21/2012 at 13:46

    Caro Renato,
    Deixei um recado para você no Linkedin, tamanha é minha vontade de participar com meu conhecimento e disposição para trabalhar com o tema lixo, não notei que você não é da área de saneamento. Mas esta muito bem informado. Assisti uma entrevista com no Canal Futura em 19/ 03/2012 às 15h sobre a disposição do resíduo sólido. No debate houve referencia à tipos de tratamento de resíduos como incineração, que deve ser a tecnologia comentada por Amauri. Não sei se ajudei.Att.

    Responder

    • Angela,

      Toda informação ajuda, realmente não sou da área de saneamento, sou analista de sistemas por profissão e síndico por que acho que posso fazer diferente e melhorar a vida das pessoas. Nesse blog eu tenho a intenção de levar aos síndicos e administradores a importância de tomar atitudes sustentáveis em todos os níveis, desde a coleta seletiva até a manutenção dos painéis elétricos para redução do consumo.

      Não sou daqueles que gostam de discutir demais, gosto de decidir e agir, fazer as coisas acontecerem, por isso saio da teoria e me preocupo muito em passar informações e detalhes de como se chegar aos resultados esperados, nada de reter informação, essa deve ser amplamente divulgada em prol da coletividade.

      Assista também a reportagem que fizemos para a TV Brasil falando sobre as diversas ações de sustentabilidade desenvolvidas no condomínio e demonstrando que é fácil ser sustentável, basta querer!

      Se tiver dados concretos, ações, ideias e iniciativas, me envie, divulgaremos e trabalharemos juntos.

      Abraços,

      Responder

  3. Posted by EDSON ABU'CHAIM MARQUES FIGUEIRA on 04/04/2012 at 17:09

    Prezados(as)

    Li a matéria sobre o tema LIXÃO, e os comentários a respeito de tecnologias que substituem os famigerados lixões e aterros sanitários, certo esta o senhor Amauri quando informa que as mantas que ”deveriam proteger o solo, as mesmas se rasgam com o próprio manejo do lixo, porém, agora, devo informar que das diversas tecnologias que existentes para se dar um destino eficaz aos RSU – Resíduos Sólidos Urbano, destacarei apenas três, são elas:

    a) Incineração: Método utilizado há vários anos por diversos países, contudo, segundo levantamentos da OMS, detectaram-se problemas de saúde como câncer, doenças pulmonares entre outros, em sua aplicação no dia a dia.

    b) Pirolise: Apesar de reduzir em parte a quantidade dos resíduos, estudos demonstraram que na prática, esse processo não é totalmente eficaz na destinação dos RSU em seu processo.

    c) Gaseificação por Plasma: A gaseificação por plasma por enquanto não passou de estudos e pesquisas, as únicas unidades em funcionamento são mantidas e subsidiadas por órgãos governamentais em função do seu alto custo, tornando-as economicamente inviáveis.

    d) Outros: Existem outras sistemas, cujos processos já foram ultrapassados tecnologicamente, tendo seu ciclo de vida reduzido, e alguns casos já caíram em desuso.

    Porém, existe sim uma nova tecnologia que esta sim foi aprovada em toda a Europa, EUA, ÁSIA e Oriente Médio que são as Usinas de Gaseificação.
    – Sãos usinas que se utilização de métodos térmicos para o aproveitamento energético, mundialmente conhecidas como “Waste to Energy Plant” – WTE.
    No Brasil elas recebem o nome de Usinas de Resíduos à Energia – URE.
    – A aplicação de uma tecnologia moderna, de ponta que possa dar a destinação correta e eficiente aos resíduos sólidos urbanos, com os menores índices de emissões de gases na atmosfera, reciclando, gerando energia, sem prejudicar a saúde humana e ao meio ambiente. reduzindo em aproximadamente 97% o passivo ambiental.

    Já existem mais de 42 unidades dessas usinas espalhadas mundo afora, havendo interesse tenho diversos materiais a respeito desta tecnologia,

    A alguns meses atrás houve uma palestra sobre o tema INCINERAÇÃO OU GASEIFICAÇÃO, os dois palestrantes,um doutor e uma doutora professores da Universidade de São Paulo, especialistas do setor, deram o seu parecer final dizendo ser, sem duvida alguma a tecnologia da GASEIFICAÇÃO a que melhor atende a todas as normas Internacionais e também as novas normas e diretrizes da PNRS – POLITICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS.

    Interessados em conhecer essa nova tecnologia, é só pedir.

    ABRAÇOS A TODOS.

    Responder

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